A QUEM PREFERIS?

Estamos na semana santa: Pilatos coloca ao povo manipulado e às  autoridades Judaica a pergunta: “Havia um prisioneiro famoso, que se chamava Jesus Barrabás. Pilatos perguntou, pois, à multidão reunida: Quem quereis que eu vos solte, Jesus Barrabás ou a Jesus a quem chamam Messias?” (Mateus 27,16-17) A tradução aqui foi tirada de uma Bíblia crítica para estudo chamada: “Tradução Ecumênica da Bíblia” (TEB).

Muitos tradutores seguem variantes e omitem o nome Jesus a Barrabás por várias razões: Uma delas é que esta omissão veio em razão de um dos maiores comentadores da Bíblia em Alexandria chamado Orígenes que se recusava dar o nome de Jesus a Barrabás que naquele tempo era frequente este conhecimento (Jesus Barrabás).

Às vezes estes tradutores são traidores do texto. Fazem uma leitura prévia e forçam a leitura que eles querem dar ao texto segundo sua própria teologia.
O texto deveria ser limpo e se não o colocam as variantes no texto, ao menos poderiam colocá-lo em nota de pé de página para que o leitor pudesse entender a questão das variantes. O mesmo pode-se ver em algumas traduções do Pai Nosso de Mateus (Mateus 6,13) que após a oração introduz uma passagem que não pertence ao Pai Nosso que é: “pois teus são o reino, o poder e a glória para sempre”. Isto é, houve uma introdução do copista de um elemento litúrgico-catequético (Catecismo do século
I chamado Didaqué) no texto do Pai Nosso em linha marginal e que no século VII e IX os copistas inseriram ao texto.

Isto ajuda a entender a história de como os textos chegaram até nós e nos dá o desenvolvimento da história dos próprios textos. Mas voltemos à nossa questão: “Jesus Barrabás”. O povo estava sendo manipulado. Há uma distinção entre dois Jesus. Nada mais insano que multidão que perde a razão e o sentido do raciocínio crítico. A escolha estava entre Jesus Barrabás (que tinha ares de libertador na perspectiva messiânica de expulsão dos Romanos da terra de Israel). As autoridades, então, “incitaram ao povo para que soltasse Barrabás (Marcos 15,11). A confusão estava formada. Todos os dois traziam uma missão de “Messias”: Barrabás (que fez uma rebelião) e Jesus que colocava em risco a estabilidade de Israel. A sorte foi então manipulada e Jesus Cristo (Messias) veio condenado.

Assim agem as autoridades que para não perderem seus privilégios confundem manipulando as consciências e a verdade. Isto vale para todas as autoridades sem exceção.

Pe. Ulysses Trópia